“Se não houver trabalho e emprego, o acolhimento se to... | Jornalista Celso Sgorla 
Quinta-Feira, 4 de Junho

“Se não houver trabalho e emprego, o acolhimento se to... | Jornalista Celso Sgorla

Pagina inicial

“Se não houver trabalho e emprego, o acolhimento se torna uma ilusão temporária”, afirma Irmã Rosita na CIC Caxias

Religiosa premiada pelo ACNUR palestrou na RA de segunda-feira (29)

Celso Sgorla
Celso Sgorla Publicado em 25/05/2026 00:00
  Foto: Foto: Júlio Soares/Objetiva/divulgação

“Nosso trabalho é acolher, vê-los e recebê-los como seres humanos em busca de alimentação, moradia, oportunidade e necessidades básicas. Mas, se não houver trabalho e emprego, o acolhimento se torna uma ilusão temporária, pois a pessoa logo definhará. O trabalho é verdadeiramente a base da autonomia, da promoção e da valorização da pessoa.”A afirmação é de Irmã Rosita Milesi, primeira mulher no Brasil a receber, em 2024, o Prêmio Nansen para Refugiados da Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (ACNUR), e marcou a palestra que fez na RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) na segunda-feira (29).

A religiosa scalabriniana, natural de Farroupilha (RS), compartilhou, sem esconder a emoção que o tema humanitário provoca, sua trajetória de quase 40 anos naassistência e defesa dos direitos de pessoas refugiadas e migrantes,e os resultados de iniciativas que orientam centenas ao emprego formal, um passo, segunda ela, decisivo para a autonomia das famílias e para o desenvolvimento local. “Nossa essência humana nos chama a uma vocação particularmente sensível e profunda: sermos arquitetos de pontes que unem, de encontro, que somam capacidades e saberes, e jamais construtores de barreiras, de muros que dividem e excluem”, sublinhou.

Segundo dados da ONU apresentados pela palestrante, 281 milhões de pessoas vivem fora de seus países de origem e, desse total, 123,2 milhões foram obrigadas a deixar suas casas em razão de guerras, perseguições, catástrofes naturais, crises climáticas, fome e graves violações de direitos humanos. “São pessoas que não partiram para fazer uma viagem de turismo, nem para fugir de responsabilidades por terem praticado algum ilícito, tampouco para buscar a realização de um sonho pessoal. Partiram como única resposta à urgência de viver, isto é, para salvar sua vida.”, afirmou.

Na Serra Gaúcha, os números já demonstram a presença da integração. Somente em 2025, Caxias do Sul registrou 5.705 contratações de migrantes e refugiados, com saldo positivo de 1.008 empregos formais, conforme levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Irmã Rosita reforçou que o impacto econômico da inclusão de refugiados e migrantes se estende além dos espaços das empresas. “A integração produtiva é um investimento no desenvolvimento da Região, criando um ciclo de crescimento econômico e coesão social”, frisou.

De acordo com a religiosa, empresas que abriram suas portas a refugiados e migrantes relatam experiências transformadoras e percebem aumento da diversidade cultural e linguística, fortalecimento da reputação e agenda ESG, profissionais bem motivados, alta qualificação profissional de Ensino Superior e habilidades que superam expectativas.

Ao expressar sua preocupação com as mudanças climáticas que, segundo ela, além de serem hoje a maior causa de deslocamentos forçados, ameaçam profundamente a vida e o futuro, a religiosa deixou uma mensagem de esperança no fim de sua palestra. “Desejo reiterar a confiança de que Caxias do Sul e toda a Serra Gaúcha atuarão no fortalecimento deste capítulo de sua história, que estas terras, já reconhecidas como símbolo de trabalho árduo e progresso, sejam cada vez mais uma referência nacional e internacional em acolhimento humano e integração social e econômica dos refugiados e migrantes. E, igualmente, sejam agentes transformadores no cuidado da natureza e no investimento que faça andar juntos desenvolvimento e preservação.”

Opresidente da CIC Caxias, Celestino Oscar Loro, também ressaltou o peso da mensagem de Irmã Rosita ao dizer que sem trabalho o acolhimento é uma ilusão temporária. Para ele, a causa humanitária deve ser vista como uma oportunidade de unir solidariedade e dignidade, tendo o trabalho como caminho para a inclusão.



O que achou desta notícia?

Sua opinião é fundamental para nosso jornalismo.

Comentários

Carregando comentários...

Publicidade: Anuncie!!!! Publicidade Publicidade