O tema da violência e os recentes ataques à educação voltaram à pauta, durante a reunião do Conselho dos Profissionais da Educação. Durante o encontro da manhã desta quarta-feira, 4, os servidores demonstraram suas angustias em sala de aula e no ambiente escolar. Ao longo da manhã, os profissionais preencheram uma pesquisa onde apresentaram os três maiores problemas enfrentados nas escolas e o que tem causado desgaste aos profissionais da educação.
“A tônica hoje foi realmente as dificuldades porque passam os professores e os profissionais da educação na rede municipal de educação. Questões de violência, desde violência física até as violências psicológicas, mas principalmente um desrespeito muito grande pelo nosso trabalho. É através de projetos de leis que querem cercear a nossa liberdade de ensinar, é desde denúncias anônimas que acontecem através dos portais, tentando sempre de uma forma ou de outra desprestigiar, desorganizar e desrespeitar o trabalho dos professores. É preciso que a gente cesse com isso“, afirmou a presidente do Siniserv, Silvana Piroli.
Silvana lembra ainda, que para melhorar a educação em Caxias, é fundamental que se respeite os profissionais da educação. “Eles são preparados, trabalham e querem exercer o seu trabalho da melhor forma possível. Então respeite a escola. Nós queremos esse respeito dos governantes, dos pais, dos alunos e da sociedade. Sem respeito, nós não vamos conseguir ter um ambiente de paz. Nós precisamos tomar providências com relação a isso“, disse.
Ataque à educação
O Sindiserv encaminhou à Câmara Municipal de Caxias do Sul um ofício manifestando posição contrária ao Projeto de Lei nº 297/2026, que estabelece proibições relacionadas à chamada “doutrinação política e ideológica” nas escolas públicas municipais. Para o sindicato, a proposta apresenta conceitos vagos, prevê fiscalização dos profissionais da educação e abre possibilidade de responsabilização disciplinar, criando um ambiente de insegurança no exercício da docência e de outras funções educacionais. Além disso, a ação do parlamentar gera um ambiente bélico nas escolas, já precarizadas pela falta de infraestrutura e desvalorização dos profissionais da educação.
Para a presidente do Sindiserv, Silvana Piroli, garantir condições adequadas de trabalho aos integrantes da Guarda Municipal é responsabilidade da Administração Pública. Silvana lembra ainda, que esta é uma medida indispensável à proteção da integridade física dos servidores e fortalece a atuação da corporação e à qualidade do serviço prestado à população.
Relembre
O magistério municipal se reuniu durante a manhã de, 2 de abril de 2025, na Câmara de Vereadores para pedir mais segurança e respeito no ambiente de trabalho. A tentativa de homicídio sofrida por uma professora em sala de aula um dia antes, motivou o ato, mas os sentimentos de insegurança e desrespeito já vinham preocupando a categoria. Ao longo daquele dia, as mobilizações reuniram mais de 1000 pessoas em diversos pontos da cidade. Representando os professores municipais, a presidente do Sindiserv, Silvana Piroli, fez um relato, à época, das condições de trabalho na rede municipal.
Naquele dia, Silvana cobrou o compromisso dos parlamentares em relação à educação de Caxias do Sul. “Senhores vereadores, vocês precisam nos ajudar a empoderar o professor, a direção e a escola, porque eles são os responsáveis e são as autoridades na escola. Se nós não recuperarmos esse respeito na sociedade, nós não vamos ter uma escola que funcione“, apontou.
PPP da educação
Durante a reunião, a presidente do Sindiserv defendeu a ampliação da rede pública municipal de ensino, com construção de escolas, criação de pelo menos cinco novas creches e um programa permanente de reformas e melhorias nas unidades existentes. Silvana destacou ainda, que existe a necessidade de planejamento de médio e longo prazo para ampliar gradualmente a oferta de educação em tempo integral, utilizando recursos do Fundeb para financiar os investimentos sem comprometer as contas do município.
Para Silvana o sindicato também tem manifestado a preocupação com os contratos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) na educação, que podem comprometer recursos necessários ao funcionamento da rede e à valorização dos servidores. Ela lembrou que um parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM), de agosto de 2026, recomendou a realização de estudos sobre a rescisão contratual. Para o sindicato, é necessário avaliar os custos e as consequências dessas decisões, garantindo transparência e priorizando o investimento na estrutura pública. A entidade também questiona as promessas de qualidade e manutenção das escolas sob gestão privada e cobra que os servidores sejam ouvidos nas decisões que afetam a educação municipal.
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