A Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Caxias do Sul promoveu uma reunião para discutir a nova gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Central e Zona Norte. O encontro ocorreu poucos dias após a transferência da administração das duas unidades para a Associação Mão Amiga, contratada emergencialmente pelo Executivo por 90 dias para substituir o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), responsável anterior pela operação dos serviços.
A mudança ocorreu em meio a problemas relacionados à execução do contrato anterior e às dificuldades que vinham impactando o atendimento à população.
Representando a Associação Mão Amiga, Leandro Blume apresentou as primeiras ações desenvolvidas desde que a entidade assumiu as unidades. Ele destacou o compromisso da nova gestão com a humanização do atendimento, a organização dos serviços e a valorização dos profissionais da saúde.
Já a presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindiserv), Silvana Piroli, defendeu a construção de uma política pública de saúde com planejamento de longo prazo e gestão direta pelo município.
“Tenham um plano de saúde para a cidade, contemplando a atenção primária, a média e a alta complexidade”, afirmou.
Durante sua manifestação, Silvana voltou a defender a retomada da gestão pública das UPAs. Com base em dados públicos, ela argumentou que o modelo terceirizado da UPA Central representa um custo superior a R$ 29,5 milhões aos cofres municipais em comparação à administração direta.
Segundo a dirigente sindical, a gestão pública proporciona melhores condições de trabalho aos profissionais, fortalece os vínculos empregatícios, valoriza os servidores e contribui para a consolidação de políticas permanentes de recursos humanos. Para ela, o município possui capacidade técnica e administrativa para manter a qualidade dos atendimentos sem recorrer à terceirização.
Silvana também questionou se o modelo terceirizado atingiu os objetivos anunciados de redução de custos e aumento da eficiência. Conforme destacou, o município continua arcando com a folha de pagamento dos servidores efetivos e, ao mesmo tempo, mantém contratos milionários para a operação das unidades.
“Não existe economia inteligente quando se reduz uma despesa anual de aproximadamente R$ 8,9 milhões e, em contrapartida, se assume um compromisso superior a R$ 38,4 milhões por ano”, afirmou.
A presidente do Sindiserv ressaltou ainda que, após o fechamento do antigo Postão e a terceirização da UPA Central, os servidores municipais não deixaram a folha de pagamento. Eles foram redistribuídos para outras unidades da rede, especialmente para as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde continuam exercendo funções essenciais. Na avaliação dela, a principal economia gerada pela terceirização ocorreu com a retirada do adicional de 60% pago aos profissionais que atuavam nos serviços de urgência e emergência.
A presidente do Conselho Municipal de Saúde, Samanta Nascimento, também participou do debate e defendeu uma reflexão mais ampla sobre o modelo de gestão adotado no município. Ela destacou a importância de discutir a municipalização das UPAs e criticou a instabilidade provocada pelas trocas frequentes de administradores.
“Como se cobra de uma empresa terceirizada que anoitece e não amanhece, deixando os usuários sem suporte, sem saber se os profissionais vão atender às demandas?”, questionou.
Representando a Secretaria Municipal da Saúde, o secretário-adjunto Mario Tadeucci apresentou informações sobre o processo de transição, os desafios enfrentados pelo município e as medidas adotadas para garantir a continuidade dos serviços.
“Nem tudo é caos. Se compararmos a saúde da cidade com a de outras localidades, estamos à frente. Temos, sim, várias coisas para melhorar e, em grande parte, esbarramos em questões econômicas”, afirmou.
Segundo Tadeucci, a troca de gestão foi conduzida para preservar o atendimento à população e assegurar maior estabilidade administrativa e operacional às duas unidades. Ele também apresentou dados sobre a contratação de profissionais, o acompanhamento das escalas de trabalho e os investimentos previstos durante o período emergencial.
Ao longo da audiência, vereadores e participantes levantaram questionamentos sobre o tempo de espera nos atendimentos, o dimensionamento das equipes, a situação financeira das unidades e as perspectivas para a futura contratação definitiva da gestão das UPAs. O debate evidenciou divergências sobre o modelo de administração, mas também a preocupação comum em garantir um atendimento de qualidade à população caxiense.
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