Ocomércio caxienseencerrou o mês deagosto com estabilidadede 0,23% nas vendas em comparação a julho. O desempenho foi melhor do que o registrado no mês anterior, quando a redução havia sido de -1,2%. No comparativo com mesmo período de 2024, crescimento de 6,24%. No acumulado do ano o setor registra alta de 2,82% e nos últimos 12 meses o avanço é de 1,24%.
Os dados são doTermômetro de Vendas da CDL Caxiase foram divulgados em coletiva de imprensa na terça-feira (7), junto à Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC).
O ramo duro contribuiu para o desempenho negativo e teve queda de -2,05% entre julho e agosto. Entre os segmentos que apresentaram desaceleração estão o de material de construção (-8,27%), automóveis, caminhões e autopeças novos (-4,17%), materiais elétricos (2,42%), informática e telefonia (-1,79%). Por outro lado, ótica e joalheria (5,98%), implementos agrícolas (3,98%) e eletrodomésticos, móveis e bazar (3,39%) apresentaram recuperação.
O ramo mole apresentou crescimento expressivo de 6,07% no mês. Os destaques positivos foram vestuário, calçados e tecidos (9,90%), livraria, papelaria e brinquedos (3,18%), produtos químicos (1,68%). A única retração registrada foi do setor de farmácias, com -2,60%.
SegundoMosár Leandro Ness, assessor de Economia e Estatística da CDL Caxias,o mês foi marcado por um comportamento distinto entre os ramos duro e mole, reflexo das incertezas no cenário econômico.
“Itens de maior valor agregado, mais sensíveis ao crédito, continuam apresentando dificuldades”, destaca.
Crédito, inadimplência e empregos em queda
Em agosto, o volume de consultas ao crédito recuou -0,85% em relação a julho. As consultas ao SPC pelos lojistas também diminuíram -0,82%.
O número de inclusões de dívidas teve queda de -27,32% no mês e de -38,39% no ano. As exclusões de débitos também caíram para -17,68% no mês e -19,32% no comparativo anual.
Apesar disso, o número de inadimplentes cresceu 0,70% no mês, e 7,69% em relação a agosto de 2024. O estoque de dívidas subiu 0,86% no mês e acumula alta de 8,57% em 12 meses.
“O comportamento da inadimplência revela um movimento misto: enquanto os valores em aberto recuam, o número de registros segue estável. Isso indica que os consumidores podem estar renegociando ou parcelando suas dívidas”, explica Ness.
O número de empregos formais em Caxias do Sul no comércio registrou leve queda de cinco vagas entre julho e agosto (29.525 para 29.520), mas crescimento de 3,27% no comparativo anual.
Para o assessor de Economia e Estatística da CDL Caxias, o cenário macroeconômico segue pressionado por juros altos e desaceleração do crescimento e com o PIB do segundo trimestre crescendo apenas 0,4%.
“A política monetária restritiva adotada pelo Banco Central tem surtido efeito na contenção da inflação, mas também limita o consumo. O movimento de desaceleração deve se intensificar nos próximos trimestres. A absorção doméstica, que vinha sustentando a atividade, também começa a dar sinais de enfraquecimento”, conclui Ness.
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