A realidade da coleta de resíduos, do funcionamento do aterro sanitário e os desafios para ampliar a economia circular foram temas debatidos nesta semana na Câmara de Vereadores de Farroupilha, durante encontro que reuniu representantes de entidades ambientais e parlamentares municipais.
Participaram da reunião representantes da Associação Farroupilhense de Proteção ao Ambiente Natural (Afapan), Suzana Bertuol e José Pancotto; do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam), Tatiane Kiesowe; e da Ecofar, representada pelo diretor Evandro Breda.
Segundo dados apresentados por Breda, Farroupilha gera aproximadamente 15 mil toneladas de resíduos por mês. Desse total, cerca de 12 mil toneladas correspondem a materiais orgânicos e 3 mil toneladas são classificadas como resíduos recicláveis.
Um levantamento realizado pela Afapan aponta que aproximadamente 80% dos materiais recicláveis descartados no município acabam tendo como destino final o aterro sanitário, sem possibilidade de reaproveitamento. De acordo com José Pancotto, um dos fatores que contribuem para esse cenário é o descarte incorreto e a contaminação dos materiais.
A situação também impacta o trabalho realizado pela Associação de Catadores de Resíduos Sólidos de Farroupilha (Acaresul), localizada no bairro Vila Esperança. A cooperativa recebe parte dos materiais destinados à reciclagem, mas grande quantidade chega misturada com resíduos orgânicos, reduzindo o volume de itens que podem retornar à cadeia produtiva como matéria-prima.
Diante desse cenário, as entidades apresentaram duas propostas para melhorar o sistema de coleta seletiva no município. Entre as sugestões estão a utilização de um caminhão furgão exclusivo para o recolhimento de materiais recicláveis e a implantação de ecopontos em locais estratégicos da cidade, como alternativa ao atual modelo baseado principalmente em contêineres de coleta seletiva.
Os vereadores demonstraram apoio às propostas apresentadas e destacaram a necessidade de ampliar os mecanismos de fiscalização e conscientização da população. Entre as medidas defendidas está a criação de ações para advertir moradores que realizam o descarte irregular de resíduos, além do fortalecimento dos programas de educação ambiental desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
A discussão reforçou a necessidade de ações integradas entre poder público, entidades ambientais, cooperativas e comunidade para aumentar os índices de reciclagem e reduzir o volume de resíduos encaminhados ao aterro sanitário.
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