Veranópolis viveu uma tarde de emoção e valorização da sua história no último sábado, dia 4, com a inauguração do Monumento dos Balseiros, no Belvedere do Espigão, nas BR 470. A cerimônia reuniu autoridades, comunidade, familiares de antigos balseiros e descendentes daqueles que exerceram um dos ofícios mais importantes para o desenvolvimento econômico e social da região.
A obra eterniza a memória dos balseiros, homens que, antes da construção das pontes, desempenhavam um papel fundamental no desenvolvimento econômico e social da região. Em uma época marcada pela falta de infraestrutura, as balsas eram a única forma de atravessar o Rio das Antas, garantindo o transporte de pessoas, animais, alimentos, ferramentas, correspondências e da produção agrícola e madeireira.

Muito além do esforço físico, os balseiros enfrentavam diariamente as dificuldades impostas pelo relevo, pelas fortes chuvas, pelas estradas precárias e pelas constantes variações do nível do rio. As embarcações, construídas em madeira e movimentadas por cabos de aço estendidos entre as margens, ligavam Veranópolis — então Colônia Alfredo Chaves — a Bento Gonçalves e também serviam de conexão para municípios como Nova Roma do Sul e Nova Pádua.
Os primeiros imigrantes italianos, que chegaram à região a partir da década de 1870, dependiam dessas travessias para expandir suas lavouras e escoar a produção. Na época, a madeira era uma das principais riquezas produzidas, tornando o trabalho dos balseiros indispensável para o desenvolvimento regional.
A construção da Ponte Ernesto Dornelles, em 1952, e posteriormente da Ponte do Suspiro, em 1968, marcou uma nova etapa para a mobilidade da Serra, substituindo gradativamente as balsas e encerrando uma profissão que, embora extinta, permanece viva na memória da comunidade.
O monumento foi criado pela artista visual veranense Ester Waldemarca Sangalli, que dedicou cerca de sete meses ao desenvolvimento da obra. A homenagem também concretiza um antigo sonho do ex-prefeito Elcio Siviero, agora transformado em realidade pela Administração Municipal.
Segundo o prefeito Cristiano Valduga Dal Pai, preservar a memória dos balseiros é reconhecer a coragem e o esforço daqueles que contribuíram para o crescimento de Veranópolis e de toda a região. "Esse monumento representa gratidão às pessoas que ajudaram a construir nossa história e mantém viva a memória de um trabalho que foi essencial para o desenvolvimento do município", destaca.
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