Pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciências Ambientais (PPGECAM) da Universidade de Caxias do Sul realizam uma pesquisa com o objetivo de transformar a casca do pinhão em carvão ativado. O material, utilizado no tratamento de água, efluentes industriais e na filtragem de emissões atmosféricas, pode ganhar uma matéria-prima regional especialmente durante a época de safra da semente da araucária.
O projeto é coordenado pelo professor Lademir Luiz Beal, com a colaboração dos pesquisadores Rafael Spohr e Lucas David e da estudante de Biomedicina Sara Brasil. Spohr afirma que a iniciativa faz parte de um histórico de aproveitamento de subprodutos regionais que a UCS vem explorando: “No final do ano passado, nós trabalhamos com carvão ativado feito a partir de caroço de pêssego. Então, é natural que venha essa ideia de aproveitar algo que é próprio da nossa região, como a casca do pinhão. Especialmente entre o outono e o inverno, que há uma grande produção da semente. Conseguir dar uma finalidade útil a essa casca para produzir carvão ativado faz com que as pessoas percebam que aquilo que elas costumam jogar fora pode virar um produto de valor comercial e ambiental”, destaca.
O carvão ativado é utilizado por órgãos de saneamento para despoluição de recursos hídricos e esgotos, além de ser empregado como filtro para conter a emissão de gases industriais. A pesquisa busca avaliar o potencial da casca do pinhão para essa mesma finalidade. Embora o carvão ativado possa ser obtido a partir de diversos materiais, os pesquisadores explicam que a casca do pinhão possui propriedades físicas e químicas diferentes. O objetivo é mapear características para avaliar se o produto apresenta diferenciais técnicos em relação aos materiais já utilizados.
Por se tratar de um estudo preliminar focado na identificação de propriedades e potencial técnico, a pesquisa está sendo conduzida em escala de teste no laboratório.”A quantidade de pinhão necessária para o estudo inicial não é grande, fica em menos de 10 quilos. Trata-se de uma fase preliminar para identificar propriedades e ver o potencial de ativação do material. A partir desses resultados, o projeto poderá crescer”, pontua Spohr. Ele estima que o cronograma total das pesquisas, ensaios de absorção e análises práticas leve entre seis meses e um ano.
Processos
Para desenvolver a pesquisa, a casca do pinhão passará por dois processos: pirólise e ativação química. “A pirólise é, em linhas gerais, um tratamento térmico na ausência de oxigênio para transformar moléculas grandes em moléculas menores. Após essa etapa, ocorre a ativação química do carvão obtido, que é o processo responsável por causar uma das principais características do carvão ativado: o aumento drástico na sua área superficial, sendo extremamente eficiente na absorção de impurezas. Podemos chegar a um resultado maravilhoso com um material de propriedade única, ou concluir que ele se comporta como qualquer outro carvão ativado tradicional. De qualquer forma, o resultado gerado é ciência e serve de base para novos estudos” , ressalta Spohr.
Os dados devem fundamentar artigos científicos e, caso sejam descobertas propriedades ou técnicas inovadoras, o grupo estuda a possibilidade de registrar patentes para os processos desenvolvidos.
Araucária
A Araucária é uma espécie com mais de 200 milhões de anos, também conhecida como pinheiro-araucária, pinheiro-brasileiro, entre outras denominações. Integrante da familia Araucariaceae, que ocorre unicamente no Hemisfério Sul e possui apenas duas espécies na América do Sul, a planta destaca-se pelo grande porte, podendo atingir até 50 metros de altura com tronco reto e copa característica em formato de taça na idade adulta. Sua área de ocorrência natural abrange populações esparsas no Sudeste e em toda a região Sul do Brasil.
(Fonte: Embrapa)
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