O Instituto de Leitura Quindim encerrou, neste domingo (23), a terceira e, até agora, maior edição do Festival do Leitor Quindim. O show poético da multiartista Celsim, que reuniu diferentes linguagens artísticas, embalou o público no fechamento das atividades.
Em 12 dias de programação, o evento, juntamente com o I Festival Internacional do Leitor Quindim Territórios e com a Caravana do Leitor Quindim, mobilizaram 80 mil pessoas e reuniram 188 artistas convidados. O número representa mais que o dobro dos 80 nomes nacionais que participaram da edição de 2025, e que havia alcançado público de 55 mil pessoas. A edição deste ano também marcou a internacionalização do festival, com artistas e especialistas de diferentes países.
Com o tema O encontro nos faz existir, a programação colocou em primeiro plano a brasilidade, os povos originários e a diversidade de vozes e narrativas. A presença de autores de Caxias do Sul ao lado de convidados brasileiros e estrangeiros fortaleceu o diálogo entre diferentes produções literárias e ajudou a consolidar o festival como uma referência nacional na promoção da leitura e dos encontros em torno da literatura.
Entre os destaques da programação esteve o Seminário Internacional de Literatura Infantil e Juvenil, realizado na UniCesumar, que reuniu autores, pesquisadores, professores e mediadores de leitura do Brasil e do exterior para discutir literatura infantil e juvenil, mediação de leitura, oralidade, culturas indígenas, literatura negra, formação de professores e políticas de leitura. A edição também contou com a exposição dos cinco finalistas do IX Prêmio AEILIJ, da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, na categoria Imagens para Infância, com participação de crianças de até 15 anos na escolha da imagem para a infância vencedora, Coleção de Sons de Cecília, de Renata Penzani, ilustrado por Lumina Pirilampus, da CEPE Editora.
Caravana aproxima estudantes de autores
Novidade deste ano, a Caravana do Leitor Quindim levou a experiência literária para estudantes de escolas públicas municipais e estaduais de Caxias do Sul. Nesta edição, 1.534 alunos participaram dos encontros entre leitores e autores, ampliando a previsão inicial de 900 estudantes.
A ação foi realizada com uma preparação anterior em sala de aula: as escolas receberam obras dos autores convidados para desenvolver atividades de leitura com os estudantes. Depois, os alunos foram levados ao festival para encontros presenciais com os escritores e artistas. O projeto envolveu 20 escolas públicas e foi concebido para aproximar os estudantes da programação do festival.
Territórios da Leitura pela cidade
Em sua primeira edição, o Festival Internacional do Leitor Quindim Territórios ampliou a circulação da programação e levou atividades para 20 territórios da cidade, aproximando a literatura de comunidades, espaços culturais, escolas, entidades, livrarias e outros pontos de convivência. Mais de 500 pessoas foram alcançadas.
Valorização da cultura originária brasileira
A abertura do festival também reforçou a presença dos povos originários. O público acompanhou a apresentação do Coral Teko Guarani, com participação do cacique Verá Xondaro, em uma programação que dialogou diretamente com o tema da edição e com a valorização das culturas indígenas. A identidade visual do festival foi marcada pela arte de Xadalu Tupã Jekupé. A ilustração deste ano foi desenvolvida pelo artista indígena, que utiliza elementos da serigrafia, pintura, fotografia e objetos para abordar, em forma de arte urbana, o tensionamento entre a cultura indígena e ocidental nas cidades.
Para o presidente do Instituto de Leitura Quindim, Volnei Canônica, o resultado da edição confirma a força do encontro presencial em torno dos livros e da cultura. Segundo ele, o festival cresceu, se internacionalizou e, ao mesmo tempo, manteve aquilo que é essencial: o encontro com as pessoas.
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