Iniciativa conjunta da Embrapa e da Emater/RS-Ascar reuniu extensionistas rurais de 30 municípios, em Bento Gonçalves, para promover diversificação produtiva, adequação ambiental e maior resiliência das áreas de encosta às mudanças climáticas.
O curso “Enxertia, Implantação e Manejo de Pomares de Araucária para Produção de Pinhão” foi realizado no final de setembro, na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves. Resultado de uma parceria institucional de longa data entre a Embrapa Florestas, Embrapa Uva e Vinho e Emater/RS-Ascar, a capacitação reuniu cerca de 40 extensionistas e técnicos rurais de aproximadamente 30 municípios da Serra Gaúcha. O objetivo é formar uma rede de multiplicadores capaz de levar o conhecimento técnico aos produtores rurais da região.
A iniciativa integra a cooperação entre as instituições em ações continuas de pesquisa, transferência de tecnologia e Extensão Rural. A coordenação técnica do curso ficou a cargo dos instrutores Emiliano Santarosa e Ivar Wendling, da Embrapa Florestas, com a coordenação conjunta da extensionista rural da Emater/RS-Ascar Adelaide Juvena Kegler Ramos e de Henrique Pessoa dos Santos, chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho.
Com a participação de profissionais de dezenas de municípios, a formação visa garantir capilaridade na disseminação das técnicas de reprodução assexuada da espécie Araucária. O programa abordou desde fundamentos botânicos e seleção de matrizes até a prática de métodos de enxertia (como a borbulhia de placa), formação de porta-enxertos, cuidados pós-enxertia e orientações para a implantação e manejo dos pomares.
Integração aos projetos de resiliência climática e Recupera RS
A capacitação integra estratégias voltadas à redução de riscos e à adaptação às mudanças climáticas na Serra Gaúcha. A atividade está vinculada às ações de um projeto que busca desenvolver soluções integradas para ampliar a sustentabilidade e a resiliência das áreas de encosta da região e também se articula às iniciativas do projeto Recupera RS.
Essas ações têm como ponto de partida um amplo diagnóstico realizado na região, que identificou vulnerabilidades e áreas suscetíveis a movimentos de massa e deslizamentos em encostas. A partir desse trabalho, estão sendo estruturadas propostas de políticas públicas e ações de capacitação em áreas como viticultura, manejo e conservação do solo, hidrologia, restauração florestal e alternativas de sistemas de produção.
Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Henrique Pessoa dos Santos, a capacitação reforça uma atuação integrada que busca transformar o conhecimento científico em soluções concretas para os desafios da região. “As mudanças climáticas exigem que ampliemos o olhar sobre os sistemas produtivos e sobre a própria paisagem rural. Ao aproximar pesquisa e extensão e formar uma rede de multiplicadores, conseguimos levar aos produtores alternativas que contribuem para a conservação do solo e da água, a diversificação da produção e da renda e, principalmente, para tornar as propriedades e as áreas de encosta mais resilientes”, destaca.
Diversificação de renda, adequação ambiental e restauração
A implantação de pomares enxertados de araucária pode antecipar a produção de pinhão e criar novas possibilidades de aproveitamento da terra e geração de renda, especialmente em pequenas propriedades familiares, de forma complementar às atividades agrícolas já consolidadas. Em áreas de encosta, a espécie também pode integrar sistemas agroflorestais voltados à conservação do solo e da água, à recuperação da vegetação nativa e à qualificação ambiental das propriedades.
Segundo Emiliano Santarosa, da Embrapa Florestas, a proposta vai além da implantação de pomares de araucária e considera a propriedade e a paisagem rural de forma integrada. “Buscamos oferecer alternativas de sistemas de produção que complementem as atividades tradicionais e a vitivinicultura, associando diversificação e geração de renda à conservação do solo e da água e às boas práticas agrícolas. São estratégias importantes para ampliar a sustentabilidade e a resiliência das áreas de encosta da Serra Gaúcha”, afirma.
“A enxertia da araucária abre novas possibilidades para as propriedades rurais, ao antecipar a produção de pinhão, ampliar o período de colheita e criar oportunidades de diversificação da renda, aliando produção e conservação ambiental. Para que esses benefícios cheguem efetivamente aos produtores, é fundamental capacitar os extensionistas. A formação dessa rede de multiplicadores permitirá levar a técnica aos municípios e apoiar as famílias rurais na adoção de sistemas de produção cada vez mais sustentáveis e resilientes”, destaca a extensionista rural da Emater/RS-Ascar Adelaide Juvena Kegler Ramos.
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